Sem verba, obras do Cinturão das Águas são paralisadas
À medida em que os moradores de Fortaleza e
Região Metropolitana continuam pagando a tarifa de contingência por
conta da estiagem, as obras do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), que
viabilizariam a chegada da vazão do Rio São Francisco ao Açude
Castanhão, estão paralisadas. Sem repasse de recursos federais e com a
capacidade de investimento do Governo estadual comprometida por razões
de aperto financeiro, o CAC era uma das saídas para amenizar a crise de
água.
Operários do lote 3 do trecho 1 do Cinturão já receberam o aviso
prévio de desligamento, e as três operações de crédito do Governo ainda
não possibilitaram a conclusão do trecho localizado no Cariri. "A
Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) deve se reunir em breve com a
Secretaria da Fazenda (Sefaz) para discutir o assunto (empréstimos) e
tomar as decisões. Mas podemos adiantar que, em relação à Secretaria de
Recursos Hídricos, a única operação de crédito refere-se à 1ª fase do
Programa Malha D'água que será Banabuiú/Sertão Central", informou a SRH.
Com três trechos e seis ramais ao todo, as obras do CAC se arrastam
desde 2013 e já custaram aos cofres públicos mais de R$ 1,2 bilhão.
"O que eu posso dizer é que a gente está
tentando manter a obra, mas não recebemos dinheiro ultimamente. A obra
não está paralisada. Estamos tentando manter, mas o Governo Federal só
repassou R$ 10 milhões neste ano", resumiu o titular da SRH, Francisco
Teixeira.
Entretanto, a Marquise, empresa responsável pelo lote 3 do CAC,
informou que parou a obra. "Todos os equipamentos estão sem operação e
os funcionários cumprindo aviso prévio. A paralisação deve-se
exclusivamente à falta de pagamento, o que infelizmente impede a
continuidade das ações do Consórcio". A Marquise informa que está sem
receber os repasses desde janeiro de 2019. "Por conta disso, a obra -
que estava aproximadamente 40% concluída - está paralisada e cerca de
260 funcionários estão cumprindo aviso prévio, com demissões previstas
para o dia 24 de junho", informou a construtora.
As empresas Passarelli e PB Construções, responsáveis pelos lotes 1 e
2 do trecho 1, não deram detalhes sobre as obras. "A Passarelli não se
pronunciará sobre o assunto", informou a empresa. Já a PB, com sede em
Fortaleza, não se pronunciou até o fechamento desta edição. O Ministério
do Desenvolvimento Regional (MDR) confirmou o repasse de R$ 10,6
milhões ao Governo estadual para as obras do CAC, no dia 29 de março.
"Outros repasses aguardam disponibilidade orçamentária e financeira,
em razão de restrições impostas a toda a administração pública federal a
partir do Decreto nº 9.741. A garantia de recursos para as obras vem
sendo tratada pelos ministérios do Desenvolvimento Regional e da
Economia", comunicou o MDR.
Alternativa
Para Heitor Studart, presidente da Câmara Setorial de Logística
(CSLog) e coordenador do Núcleo de Infraestrutura da Federação das
Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), o problema fiscal e a capacidade
de investimento dos governos federal e estadual são os maiores
empecilhos para a conclusão da obra. "Qual o ponto agora? Continuar o
Cinturão das Águas ou um projeto mais estruturante que a SRH apresentou,
que é o Malha d'Água? Este projeto é bem mais abrangente e atende a
mais municípios e uma população maior que o CAC", defendeu.
Segundo ele, para terminar o Cinturão são precisos mais R$ 4 bilhões
em investimentos. "Para fazer o Malha d'Água são necessários uns R$ 5
bilhões. Este projeto interliga todas as bacias. O Estado foi dividido
em 34 bacias por tubulações. Não será a céu aberto e com isso evita-se a
evaporação e elimina-se a perda de água".
Studart afirmou ainda que o Estado vai priorizar o Malha d'Água. "Ele
foi lançado agora e a primeira bacia para edital que inclusive pode ser
de Parceria Público-Privada será a de Banabuiú, que deve ser lançada em
julho e deverá custar até R$ 600 milhões". Para ele, em oito anos, o
projeto estaria totalmente concluído.
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