No ápice da pandemia, ofertar leitos exclusivos a pacientes
infectados pela Covid-19 era o grande desafio. A demanda, por meses, foi
além da oferta. Resultado: unidades hospitalares quase sempre lotadas.
Para minimizar esse quadro, o Ministério da Saúde começou a habilitar,
no fim de maio, Centros de Atendimento para Enfrentamento da Covid-19.
No Ceará, atualmente são 109 funcionando em 95 municípios. Passado o
pico da doença, os equipamentos seguem sendo considerados importante
reforço, pois descentralizam os atendimentos e focam no atendimento
precoce, evitando que o vírus volte a se espalhar com velocidade.
Sayonara Cidade, presidente do Conselho das Secretarias Municipais de
Saúde do Ceará (Cosems), explica que os serviços continuam conforme as
necessidades dos municípios. Ela ressalta que, apesar da tendência de
queda na curva epidemiológica, ainda é preciso suporte aos infectados.
"Se só vou ter vacina para uma parte da população, a outra parte tem que
receber esse tratamento", explica, observando que o reforço é
essencial, principalmente, para desafogar a demanda das Unidades Básicas
de Saúde (UBS).
Esse "fôlego", abre, hoje, espaço para tratamento de outras
enfermidades. Sayonara lembra que para um retorno gradual e seguro das
atividades, é preciso que as unidades de saúde estejam preparadas. Ela
explica que essa retomada da economia tende a aumentar o fluxo de
pacientes nas UBS. "É fundamental (a manutenção dos Centro) para não
termos pacientes com Covid-19 ou com suspeita sendo tratados no mesmo
ambiente que os pacientes com outras enfermidades, o que pode causar a
infecção cruzada".
Funcionamento
Os Centros funcionam como estruturas auxiliares para identificação
precoce dos casos da Covid e prestam atendimento às pessoas com síndrome
gripal. Segundo o Ministério da Saúde (MS), que já investiu mais R$ 7,2
mi no programa, os equipamentos permitem "identificar e tratar os casos
com sintomas leves de coronavírus", fazendo com que os demais serviços
oferecidos nas unidades sejam mantidos.
Em Cedro, o Centro, que funciona há dois meses, oferta consulta
médica e de enfermagem, todos os dias, além de acompanhamento de
fisioterapeuta e nutricionista. Esse é o padrão dos Centros tipo 1, cujo
valor mensal de custeio, repassado pelo MS é de R$ 60 mil. A
coordenadora Andréa Oliveira, acrescenta que o local oferta "coleta de
swab, sorologia, assim como visita domiciliar". A unidade atende, em
média, 145 pessoas por dia. A equipe é composta por 20 profissionais:
médicos (8) enfermeiras (2), técnicos de enfermagem (3), auxiliar de
serviços gerais (2), atendente (1), motoristas (2), fisioterapeuta (1) e
nutricionista (1).
Outra cidade beneficiada com o Centro é Juazeiro do Norte. O
município é o segundo em número de casos (15.547), no Ceará, e chegou a
ser o epicentro da doença. Ao contrário da unidade de Cedro, o Centro de
Juazeiro é do tipo 2 e funciona para internamento hospitalar de baixa
complexidade, com atendimento e acompanhamento médico, clínico geral,
assistência de enfermagem e fisioterapia respiratória e motora. Sua
capacidade de atendimento atual é de 30 pacientes diários com quadro
clínico dentro do perfil da unidade Covid.
"A demanda diária é imprevisível por depender das altas hospitalares referenciadas", pontua o diretor, George Moraes.
O local, que se aproxima da marca dos 3 mil atendimentos, mantém uma
equipe multidisciplinar de médicos (25), enfermeiros (10), técnicos de
enfermagem (24), fisioterapeutas (6) e um farmacêutico, além dos
serviços de apoio administrativo, nutricional e psicossocial. Esse
quadro, assim como o de Cedro, é padrão para as demais cidades
contempladas. "Garantimos a assistência de pacientes de média
complexidade para que o Hospital Regional do Cariri (HRC) fique apenas
com pacientes mais graves", pontua a secretária de Saúde do Município,
Glauciane Torres. Hoje, dos 31 leitos de UTI no HRC, 28 estão ocupados.
São esses números, que, na avaliação de Glauciane, corroboram para a
importância dos Centros.
O pintor Francisco José Lima, 54, ficou cinco dias internado no
Centro de Juazeiro e, após a alta, reconheceu a importância do
equipamento. "A situação (de Juazeiro) poderia ter sido pior, mas esse
Centro e também o Hospital de Campanha conseguiram ajudar muitas
pessoas".
Diário do Nordeste