domingo, 18 de outubro de 2020

Cinco pessoas são executadas dentro de residência em Quiterianópolis


 

Cinco pessoas foram executadas a tiros na tarde deste domingo (18), em uma casa localizada na rua Manoel Vieira de Carvalho, no município de Quiterianópolis, a 410 km de Fortaleza. Segundo a Polícia Militar, cinco jovens estavam consumindo bebidas alcoólicas quando quatro homens armados entraram no local, pediram para as vítimas ficarem deitadas e efetuaram vários disparos. Ninguém foi preso até o momento.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), reforços da Polícia Civil, da Polícia Militar e uma aeronave da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) foram enviados para auxiliar nas diligências que têm o intuito de capturar os responsáveis pelos crimes. Os quatro suspeitos de cometer o crime fugiram e não foram identificados. 

A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e policiais civis da Delegacia Municipal da cidade foram acionados e realizam os primeiros levantamentos sobre o caso.

sábado, 17 de outubro de 2020

Covid: Centros de Enfrentamento garantem suporte mesmo após pico

 

No ápice da pandemia, ofertar leitos exclusivos a pacientes infectados pela Covid-19 era o grande desafio. A demanda, por meses, foi além da oferta. Resultado: unidades hospitalares quase sempre lotadas. Para minimizar esse quadro, o Ministério da Saúde começou a habilitar, no fim de maio, Centros de Atendimento para Enfrentamento da Covid-19.

No Ceará, atualmente são 109 funcionando em 95 municípios. Passado o pico da doença, os equipamentos seguem sendo considerados importante reforço, pois descentralizam os atendimentos e focam no atendimento precoce, evitando que o vírus volte a se espalhar com velocidade. Sayonara Cidade, presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), explica que os serviços continuam conforme as necessidades dos municípios. Ela ressalta que, apesar da tendência de queda na curva epidemiológica, ainda é preciso suporte aos infectados. "Se só vou ter vacina para uma parte da população, a outra parte tem que receber esse tratamento", explica, observando que o reforço é essencial, principalmente, para desafogar a demanda das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Esse "fôlego", abre, hoje, espaço para tratamento de outras enfermidades. Sayonara lembra que para um retorno gradual e seguro das atividades, é preciso que as unidades de saúde estejam preparadas. Ela explica que essa retomada da economia tende a aumentar o fluxo de pacientes nas UBS. "É fundamental (a manutenção dos Centro) para não termos pacientes com Covid-19 ou com suspeita sendo tratados no mesmo ambiente que os pacientes com outras enfermidades, o que pode causar a infecção cruzada".

Funcionamento

Os Centros funcionam como estruturas auxiliares para identificação precoce dos casos da Covid e prestam atendimento às pessoas com síndrome gripal. Segundo o Ministério da Saúde (MS), que já investiu mais R$ 7,2 mi no programa, os equipamentos permitem "identificar e tratar os casos com sintomas leves de coronavírus", fazendo com que os demais serviços oferecidos nas unidades sejam mantidos.

Em Cedro, o Centro, que funciona há dois meses, oferta consulta médica e de enfermagem, todos os dias, além de acompanhamento de fisioterapeuta e nutricionista. Esse é o padrão dos Centros tipo 1, cujo valor mensal de custeio, repassado pelo MS é de R$ 60 mil. A coordenadora Andréa Oliveira, acrescenta que o local oferta "coleta de swab, sorologia, assim como visita domiciliar". A unidade atende, em média, 145 pessoas por dia. A equipe é composta por 20 profissionais: médicos (8) enfermeiras (2), técnicos de enfermagem (3), auxiliar de serviços gerais (2), atendente (1), motoristas (2), fisioterapeuta (1) e nutricionista (1).

Outra cidade beneficiada com o Centro é Juazeiro do Norte. O município é o segundo em número de casos (15.547), no Ceará, e chegou a ser o epicentro da doença. Ao contrário da unidade de Cedro, o Centro de Juazeiro é do tipo 2 e funciona para internamento hospitalar de baixa complexidade, com atendimento e acompanhamento médico, clínico geral, assistência de enfermagem e fisioterapia respiratória e motora. Sua capacidade de atendimento atual é de 30 pacientes diários com quadro clínico dentro do perfil da unidade Covid.

"A demanda diária é imprevisível por depender das altas hospitalares referenciadas", pontua o diretor, George Moraes.

O local, que se aproxima da marca dos 3 mil atendimentos, mantém uma equipe multidisciplinar de médicos (25), enfermeiros (10), técnicos de enfermagem (24), fisioterapeutas (6) e um farmacêutico, além dos serviços de apoio administrativo, nutricional e psicossocial. Esse quadro, assim como o de Cedro, é padrão para as demais cidades contempladas. "Garantimos a assistência de pacientes de média complexidade para que o Hospital Regional do Cariri (HRC) fique apenas com pacientes mais graves", pontua a secretária de Saúde do Município, Glauciane Torres. Hoje, dos 31 leitos de UTI no HRC, 28 estão ocupados. São esses números, que, na avaliação de Glauciane, corroboram para a importância dos Centros.

O pintor Francisco José Lima, 54, ficou cinco dias internado no Centro de Juazeiro e, após a alta, reconheceu a importância do equipamento. "A situação (de Juazeiro) poderia ter sido pior, mas esse Centro e também o Hospital de Campanha conseguiram ajudar muitas pessoas".

 

Diário do Nordeste 

Sem público externo, vaquejadas podem ser realizadas na maior parte do CE após sete meses suspensas


 

As vaquejadas estão na lista dos eventos previstos para retomada permitida desde publicação do decreto estadual, no dia 3 de outubro, mas que proíbe a presença de público externo e diferencia as regras sanitárias por municípios do Ceará. Depois de sete meses sem a prática, durante a pandemia do novo coronavírus, os organizadores precisam buscar autorização com a Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri).

Podem ser realizados eventos agropecuários na Região de Fortaleza, formada por 44 municípios, além do Litoral Leste, do Sertão Central e da Região Norte, apenas com participantes de práticas esportivas. A capacidade do público interno também varia de acordo com a Região de Saúde.

Na Capital, e nos 43 municípios vizinhos, podem participar 300 praticantes nos eventos esportivos agropecuários. Nas demais localidades, as vaquejadas devem ser menores com, no máximo, 100 praticantes. As cidades da Região do Cariri seguem com medidas mais restritivas e não fazem parte do grupo autorizado.

Para formalizar a realização das vaquejadas, a organização deve solicitar autorização à Adagri, que deve disponibilizar as regras sanitárias exigidas em seu site. Os procedimentos passam por homologação da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

No fim de setembro, a Polícia Militar barrou a chamada "Vaquejada Bolão dos Amigos", onde foi identificada aglomeração e descumprimento das regras de isolamento realizado em um haras na localidade de Cauípe, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

 

Diário do Nordeste

 

Número de brasileiros aptos a votar nas eleições deste ano, em novembro, é recorde


 

Daqui a um mês, 147.918.483 brasileiros poderão participar das eleições. O número é 2,66% superior ao de 2016. Não foram consideradas as bases de dados do Distrito Federal e de Fernando de Noronha (PE), onde não haverá pleito em novembro, além dos brasileiros residentes no exterior, que só votam nas eleições gerais.

É importante lembrar que o horário de votação mudou em virtude da pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus: será das 7h às 17h. O pleito em primeiro turno acontecerá no dia 15 de novembro e, em segundo turno, caso necessário, em 29 de novembro.

Eleitorado

O maior crescimento do eleitorado foi no Amazonas, com 7,88% (2.503.269). Por outro lado, Tocantins foi o único estado onde houve redução de 0,17% no número de votantes (1.035.289). São Paulo exibe o mais robusto colégio eleitoral (33.565.294), tendo contabilizado alta em relação a 2016 acima da média nacional: 2,69%. Somente a capital paulista tem 8.986.687 pessoas aptas a votar. Cabe ainda ressaltar que o menor eleitorado nacional está em Araguainha, em Mato Grosso: 1.001 eleitores.

As mulheres são 52,49% do eleitorado (77.649.569). Os homens totalizam 47,48% (70.228.457) Além disso, 0,03% não informou gênero (40.457). Como há dois anos é permitido o uso do nome social no título, 9.985 pessoas exercerão tal direito no título, em novembro.

Nos últimos quatro anos, houve um salto de 93,58% no número de eleitores que autodeclararam ter algum grau de deficiência – o quantitativo subiu de 598.314 em 2016 para 1.158.234 em 2020. A Justiça Eleitoral está capacitada a dar atendimento especial a esse público.

Em relação ao grau de instrução, as estatísticas do TSE mostram que a maior parte do eleitorado diz ter ensino médio completo (37.681.635). Em seguida, 35.771.791 eleitores revelaram ter o ensino fundamental incompleto. Outros 22.900.434 fizeram o ensino médio, sem conclusão. Apenas 15.800.520 concluíram a graduação superior. Ainda no quesito educação, 6,5 milhões de eleitores são analfabetos e 11,5 milhões apenas leem e escrevem.

Neste ano, cerca de 700 mil candidatos estão concorrendo a cargos em câmaras e prefeituras municipais. Além disso, em Mato Grosso, em paralelo ao pleito nacional para prefeito e vereadores, será preenchida uma vaga para o Senado Federal. A eleição se dará devido à cassação, pelo Tribunal Superior Eleitoral, do mandato de Selma Arruda e de seus dois suplentes, pelas práticas de caixa dois e abuso do poder econômico, na campanha de 2018. Onze candidatos disputam a vaga. 

Um dado curioso nas estatísticas do TSE é que, em 117 cidades, apenas um candidato disputa a prefeitura. Também chama a atenção o percentual de 37% dos municípios onde o embate ocorrerá entre duas candidaturas. Nas 2.069 cidades envolvidas, vivem 20,9 milhões de pessoas – 16,4 milhões de eleitores.

Candidaturas por partidos

Com 44.158 inscritos, o MDB é o partido com mais candidatos nas Eleições Municipais deste ano. Já PSD e PP aumentaram em mais de 30% seus números. Enquanto o primeiro inscreveu 32,4% mais filiados (eram 29.421 em 2016), o segundo elevou em 34,6% (eram 28.031 há quatro anos). 

O Novo é a legenda com maior alta percentual de candidaturas. O crescimento de 330,56% corresponde à mudança de 144 para 620 candidatos. No rol ascendente, também estão o Podemos (104,99% sobre 2016, totalizando agora 20.071 candidatos) e o PSL (crescimento de 105,8%, com 21.667 postulantes). O DEM também concorrerá com um contingente maior – subiu de 21.953 para 32.536 candidatos.

Por outro lado, a legenda com a maior redução proporcional de candidaturas foi o PCB, que passou de 243 inscritos em 2016 para 75 em 2020 (69,14% a menos). Já o DC, que em 2016 disputou a eleição como PSDC, baixou de 7.607 candidatos para 4.635 (redução de 39,07%) e, finalmente, o PV, que teve diminuição de 11.866 inscritos para 5.089.

Campanha

A campanha eleitoral teve início em 27 de setembro, e a propaganda na rádio e televisão, no dia 9 de outubro.

Em virtude da pandemia, não haverá identificação biométrica nas Eleições 2020.

(*) Com informações do TSE

Auxílio emergencial e FGTS: 30 agências no Ceará abrem, neste sábado, para atender a população

 


A Caixa Econômica Federal abre neste sábado (17) 772 agências para o pagamento do saque emergencial de até R$ 1.045 do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) a 10,8 milhões de trabalhadores nascidos em julho e agosto. O atendimento será das 8h ao meio-dia. No Ceará, 30 agências espalhadas pelos municípios estarão abertas para atender a população.

A lista das agências está disponível no endereço www.caixa.gov.br/agenciasabado. Não é preciso chegar antes do horário de abertura. Em comunicado, a Caixa esclareceu que todas as pessoas que procurarem as agências dentro do período de funcionamento serão atendidas.

Além do saque, será possível transferir de forma gratuita os valores, por meio do aplicativo Caixa Tem, para outra conta, seja da Caixa ou de outras instituições financeiras.

Em agosto, a Caixa creditou R$ 5,8 bilhões nas contas poupança digitais dos trabalhadores. O dinheiro havia sido depositado em 10 de agosto (no caso dos nascidos em julho) e em 24 de agosto (no caso dos nascidos em agosto).

Desde então, os recursos podiam ser movimentados apenas por meio do Caixa Tem, que permite compras por cartão de débito virtual, compras por QR Code (versão avançada do código de barras) em estabelecimentos parceiros e o pagamento de boletos e de contas residenciais.

 

CEARÁ AGORA

Ceará tem 264.172 casos de Covid-19; recuperados somam 227 mil

 

Ainda no total de infectados, 9.202 morreram após o diagnóstico da doença pandêmica

O Ceará registra 264.172 casos de Covid-19, segundo a plataforma IntegraSUS, da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa). Do número total de infectados, 227.420 estão recuperados da doença provocada pelo novo coronavírus e outros 9.202 morreram em decorrência de complicações clínicas, conforme informações registradas às 17h03 desta sexta-feira (16). 

Nas últimas 24 horas, um óbito foi registrado. A taxa de letalidade, que é a proporção entre os índices de casos e mortes, está em 3,5%. De março, quando os primeiros pacientes foram diagnosticados com Covid-19, até agora, a Sesa já realizou  896.598 exames ao passo que ainda investiga 55.919 casos considerados suspeitos. 

Leitos

A taxa de ocupação dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) marca 60,96%, enquanto as enfermarias têm 27,66% das acomodações com pacientes internados. 

Fortaleza continua sendo a cidade cearense com o maior volume de casos. Conforme a Sesa, são 53.017 casos na Capital. Juazeiro do Norte (15.929), Sobral (12.483), Maracanaú (7.208) e Crato (7.067) aparecem na sequência.

A campanha de cientistas para defender morcegos 'acusados' de originar a Covid-19


 

Para acessar cavernas sagradas, o ecologista Mathieu Bourgarel cumpre seus próprios rituais, pedindo permissão aos anciãos da aldeia para a visita e carregando consigo presentes para apaziguar os espíritos.

Com máscara, jaleco e três camadas de luvas, ele vai em direção à escuridão, descendo através de cordas e se espremendo entre as passagens estreitas da caverna.

O cheiro marcante dos morcegos está em toda parte. No chão, camadas de excrementos dos animais.

Ocasionalmente, um morcego desperta do sono e levanta voo.

Nesta parte do Zimbábue, os morcegos são conhecidos como "dragões alados", "ratos voadores" ou simplesmente "os malvados".

Como em outras partes do mundo, esses mamíferos voadores são muito mal compreendidos.

Já para Bourgarel, eles são criaturas lindas e incríveis.

"Eles são fascinantes", diz. "As pessoas têm medo do que não conhecem."

Ele é um caçador de vírus do Cirad, um instituto de pesquisa francês. Trabalhando com colegas da Universidade do Zimbábue, Bourgarel vai a cavernas repletas de morcegos para coletar animais e amostras de seus excrementos. 

De volta ao laboratório, os cientistas extraem e sequenciam o material genético dos vírus dos morcegos. Esta equipe já descobriu diferentes coronavírus, incluindo um da mesma família que o Sars-CoV-2, causador da atual pandemia.  

Medo infundado

A pesquisa faz parte de um esforço mundial para investigar a diversidade e a composição genética dos vírus que os morcegos carregam, fornecendo ferramentas para uma reação rápida em casos de novas doenças em humanos.

"A população local visita com frequência o habitat desses morcegos, a fim de coletar guano para usar como fertilizante em suas plantações. Portanto, é fundamental conhecer os patógenos que os morcegos carregam, pois eles podem ser transmitidos ao homem", afirma Elizabeth Gori, da Universidade do Zimbábue.

Especialistas em morcegos lançaram uma campanha, Don't Blame Bats ("Não culpe os morcegos"), para dissipar medos infundados e mitos sobre estes animais. Tais reações humanas estão ameaçando a conservação dos mamíferos.

Por muito tempo alvo de desdém, perseguição e preconceito cultural, os morcegos foram ao longo da história responsabilizados por uma série de males sofridos pelos humanos. E os medos e mitos sobre os morcegos apenas se intensificaram com a covid-19.

A origem precisa do vírus que causou tantos problemas em todo o mundo não foi determinada. Mas a grande maioria dos cientistas concorda que ele passou para os humanos a partir de uma espécie animal, provavelmente um morcego. Isso não significa que a culpa seja destes mamíferos — nossa crescente interferência nos ambientes selvagens é que está na raiz do problema. 

 

Surtos de doenças emergentes têm sido associados à destruição da natureza pelos homens. Quando as florestas são suprimidas para dar lugar ao pasto, a plantações, estradas ou assentamentos, os animais selvagens são forçados a se aproximar cada vez mais dos humanos e de animais de criação, dando aos vírus a oportunidade de infectar diferentes seres.

"É inegável que os morcegos, como muitos outros grupos de animais, apresentam riscos reais como hospedeiros de doenças potencialmente perigosas", diz Ricardo Rocha, da Universidade do Porto, em Portugal.

Mas ele aponta que a proporção de hospedeiros para o total de espécies de morcegos — neste caso, impressionantes 1.400 ou mais espécies —, é semelhante à de outros grupos, como pássaros, animais domésticos e roedores.

Pesquisadores estimam que três em cada quatro doenças infecciosas novas ou emergentes em pessoas vêm de animais. Um alerta marcante sobre este perigo veio em 2002, quando a misteriosa doença Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) surgiu na China, matando quase 800 pessoas em todo o mundo.

Em 2017, os pesquisadores identificaram uma colônia de morcegos-ferradura vivendo em cavernas remotas na província de Yunnan que abrigava fragmentos genéticos do vírus Sars. Eles alertaram que uma doença semelhante poderia surgir novamente — e hoje provam que estavam certos.

Mas, em vez de culpar uma espécie ou outra, precisamos reavaliar nossa relação com o mundo natural, sugere Rocha. Ele ressalta que os morcegos são vitais para ecossistemas saudáveis e para bem-estar humano.

Benefícios dos morcegos

Os morcegos coíbem insetos que invadem plantações; polinizam plantas e dispersam sementes de árvores nas florestas tropicais, ajudando no combate às mudanças climáticas.

Seria um "desfecho terrível" se os morcegos fossem demonizados, uma vez que a propagação de doenças de animais para humanos é muito mais sobre humanos invadindo suas áreas do que o contrário, diz David Robertson, da Universidade de Glasgow, Escócia. Os antepassados do Sars-CoV-2 provavelmente já circulam entre morcegos há décadas, diz ele, com a capacidade de infectar outras espécies animais também. 

Houve relatos isolados de reações agressivas contra morcegos no período da pandemia, incluindo matanças planejadas ou efetivadas no Peru, Índia, Austrália, China e Indonésia.

Os cientistas alertam que algumas ações equivocadas podem ter consequências graves para espécies sob risco e até aumentar o risco de disseminação de doenças.

"Uma grande preocupação é que muitas espécies de morcegos estão ameaçadas de extinção, então mesmo pequenos casos de violência podem causar danos irreversíveis", avalia Douglas MacFarlane, da Universidade de Cambridge, Inglaterra.

Os morcegos viveram por séculos em áreas próximas a humanos — e isto com benefícios mútuos.

Na cidade universitária de Coimbra, em Portugal, os morcegos ocuparam uma biblioteca do século 18 por mais de 300 anos, deliciando-se com insetos que, de outra forma, poderiam ter destruído manuscritos.

Ricardo Rocha diz que devemos lembrar que os morcegos são parte integrante das complexas teias naturais que mantêm os ecossistemas saudáveis.

"Se há uma grande mensagem para levar para casa neste momento infeliz da história é que tornar a natureza doente nos deixa doentes", diz ele. 

 

G1